Aventura

A caixinha dos sonhos guardados

Historinha A caixinha dos sonhos guardados

No sótão da casa da Vovó Nina, onde a poeira dançava nos raios de sol como fadinhas douradas, Sofia encontrou o objeto mais misterioso de todos.

Não era um baú de pirata, nem um vestido antigo. Era uma pequena caixa. Ela cabia na palma da mão de Sofia. Era feita de uma madeira escura e polida, com incrustações de madrepérola que brilhavam em cores de arco-íris quando a gente a virava na luz.

Na tampa, entalhada com uma letra delicada, estava escrito: “Para aquilo que não se pode tocar, mas se pode sentir.”

Sofia sacudiu a caixinha. Shhh… shhh… O som parecia areia do mar, ou talvez suspiros engarrafados.

— Vovó? — chamou Sofia, descendo as escadas correndo. — O que tem aqui dentro?

A Vovó Nina, que estava tricotando um cachecol azul, sorriu por cima dos óculos. — Ah, você encontrou a Caixinha dos Sonhos Guardados. — Sonhos guardados? — Sofia franziu a testa. — Mas sonhos somem quando a gente acorda, vovó. Como fumaça. — Os sonhos comuns, sim — explicou a avó, piscando um olho. — Mas os Sonhos Especiais, aqueles que fazem seu coração bater mais rápido, aqueles que você não quer esquecer… esses podem ser guardados. E o melhor de tudo: podem ser visitados de novo.

Sofia olhou para a caixa com novos olhos. — Como eu abro? Não tem fechadura. — Você não abre com uma chave, querida. Você abre com uma lembrança. Feche os olhos e pense naquele sonho que você teve quando tinha cinco anos. Lembra? Aquele de voar?

Sofia fechou os olhos. Ela forçou a memória. Era difícil no começo, mas então, ela lembrou da sensação do vento no rosto. Lembrou-se de ter asas feitas de papel de pipa. — Eu lembro… — sussurrou ela.

Click.

A tampa da caixinha se levantou sozinha. Dela não saiu nada material. Saiu uma névoa colorida, cheirando a baunilha e terra molhada. A névoa envolveu Sofia, a vovó e a sala inteira. O chão de madeira desapareceu. O teto sumiu.

De repente, Sofia não estava mais na sala. Seus pés não tocavam o chão. Ela estava flutuando sobre um vale verdejante que ela conhecia muito bem.

— Eu estou voando! — gritou Sofia, rindo.

Ela olhou para suas costas. Lá estavam elas: asas coloridas de papel de pipa, exatamente como ela havia sonhado anos atrás. O vento soprava morno. Ao seu lado, pássaros que cantavam músicas de caixinha de música voavam em bando.

— Olá, Sofia! — disse uma voz grossa e amigável.

Sofia olhou para baixo. Correndo nas colinas, estava o Senhor Bigodes, um gato gigante, do tamanho de um cavalo, usando uma cartola roxa. — Senhor Bigodes! — Sofia mergulhou no ar e pousou nas costas macias do gato. — Eu achei que tinha perdido você para sempre quando acordei naquele dia!

— Nada se perde aqui, Sofia — ronronou o gato, e o som era como um motor de barco. — Tudo o que você ama e sonha fica guardado na caixinha, esperando você voltar para brincar. Vamos correr até a Cachoeira de Limonada?

Eles correram. Foi a aventura mais incrível. Eles escorregaram num arco-íris que parecia um tobogã de gelatina. Eles nadaram num lago onde os peixes contavam piadas. Sofia revisitou lugares que ela achava que sua mente tinha apagado.

Mas, no meio da brincadeira, Sofia sentiu uma pontada de medo. — Senhor Bigodes… e se eu tiver que ir embora? E se eu crescer e a caixa não abrir mais?

O gato gigante parou e olhou para ela com seus grandes olhos amarelos. — Sofia, a caixa é apenas uma ajuda. O verdadeiro lugar onde os sonhos ficam guardados é dentro de você. A caixa só te lembra de olhar para dentro. Você pode nos visitar quando tiver 10, 20 ou 90 anos. Basta não esquecer de girar a chave da imaginação.

A névoa começou a girar ao redor de Sofia novamente. O gato acenou com a cartola. O vale verde foi ficando transparente. — Até logo, Sofia! Volte quando o mundo lá fora estiver muito cinza! — gritou o Senhor Bigodes.

Sofia abriu os olhos. Ela estava sentada no tapete da sala. A vovó continuava tricotando, mas com um sorriso satisfeito no rosto. A caixinha de madeira estava fechada em seu colo, parecendo apenas um objeto comum novamente.

Mas Sofia sentia o cheiro de limonada e vento fresco em seus cabelos.

— Viu? — disse a vovó. — Eles continuam lá.

Sofia abraçou a caixinha contra o peito. Ela sabia que amanhã teria escola, dever de casa e arrumação de quarto. Mas não importava. Agora ela sabia que, sempre que precisasse de um pouco de mágica, de um voo de pipa ou de um abraço de um gato gigante, o tesouro estava ali, ao alcance de sua mão.

A menina guardou a caixinha na prateleira mais especial do seu quarto. E naquela noite, ela não teve pressa para dormir, pois sabia que seus sonhos não eram passageiros; eram amigos eternos esperando por uma visita.

Avalie a Historinha post

historinha

Criador de historia infantil, adoro criar historinhas e também sou uma amante da literatura. Editor e fundador do Historia para dormir.

O Que Achou da Historinha?

Botão Voltar ao topo