Aventura

A Grande Corrida Jurássica

Historinha A Grande Corrida Jurássica

O Festival do Vale do Sol Nascente

Uma vez por ano, quando a estação das chuvas terminava e o chão do Vale do Sol Nascente secava o suficiente para não escorregar, os dinossauros se reuniam para o evento mais esperado de todos: A Grande Corrida Jurássica.

Não era uma corrida comum. O percurso era longo, traiçoeiro e cheio de surpresas. Ele começava no Bosque das Samambaias Gigantes, atravessava o terrível Pântano de Lama Bolhosa, cruzava as águas geladas do Rio Estrondoso, subia a Colina das Pedras Soltas e, finalmente, terminava na sombra do Grande Baobá, a árvore mais antiga do mundo.

Todos no vale sabiam que para vencer essa corrida não bastava ter as pernas mais longas; era preciso ter inteligência, coragem e, acima de tudo, um bom coração. Mas, é claro, nem todos os competidores entendiam isso logo de cara.

Neste ano, a disputa prometia ser acirrada. Na linha de partida, quatro competidores muito diferentes se aqueciam:

  • Velo: Um Velociraptor magricela, verde-esmeralda e incrivelmente convencido. Ele alongava suas pernas finas e repetia para quem quisesse ouvir: “Eu sou o vento! Vocês só vão ver a poeira que eu deixar para trás!”

  • Casca: Um Anquilossauro baixinho, largo e coberto por uma armadura de placas ósseas pesadas. Ele não era nada rápido, mas tinha a resistência de um tanque de guerra.

  • Nado: Um Espinhossauro imponente, com uma grande vela colorida nas costas. Ele caminhava de forma um pouco desajeitada na terra, mas era o mestre absoluto das águas.

  • Bela: Uma Braquiossauro jovem e gentil. Suas pernas eram como colunas de um templo, e seu pescoço longo a permitia ver quilômetros à frente. Ela era lenta para dar o primeiro passo, mas cada passada sua cobria uma grande distância.

No alto de um galho, Juju, a Pterodáctilo que era a juíza oficial da corrida, ergueu uma grande folha vermelha no bico. Todos prenderam a respiração. A floresta inteira ficou em silêncio.

A Largada e o Primeiro Desafio

Juju soltou a folha. Assim que ela tocou o chão, a corrida começou!

“ZUUUUM!” Velo disparou como um foguete, deixando uma nuvem de terra no focinho dos outros competidores. Em poucos segundos, ele já havia sumido na curva do Bosque das Samambaias. Casca começou a trotar em seu ritmo constante, Nado balançava sua cauda pesada de um lado para o outro, e Bela deu seu primeiro e majestoso passo.

Velo corria com um sorriso de orelha a orelha. “Isso é fácil demais!”, ele ria. Tão confiante estava em sua velocidade que nem olhou por onde pisava. De repente, o chão verde e firme deu lugar a uma gosma marrom e borbulhante. Ele havia chegado ao Pântano de Lama Bolhosa.

Sem diminuir a velocidade, Velo tentou correr por cima da lama. Foi um erro terrível. Suas pernas finas afundaram como palitos de dente em um pudim. Em segundos, ele estava atolado até a barriga, batendo as garras em pânico, o que só o fazia afundar mais.

Alguns minutos depois, ouviu-se o som de passos pesados. Era Casca. O Anquilossauro parou na beira do pântano e analisou a situação. Como era largo e pesado, mas tinha patas curtas e pés grandes, ele sabia que a lama não o engoliria tão facilmente se andasse devagar.

“Me ajude, Casca!” gritou Velo, envergonhado. “Eu estou preso!”

Casca poderia ter simplesmente passado direto e assumido a liderança, mas ele parou. “A pressa é a inimiga da lama, Velo. Pare de se debater.” Casca caminhou com cuidado pela borda do pântano e esticou sua longa cauda com a ponta em formato de clava. “Segure-se!”

Velo agarrou a cauda do amigo e foi puxado para terra firme, coberto de lama da cabeça aos pés. “Obrigado,” murmurou o raptor, o orgulho um pouco ferido, mas o coração cheio de gratidão.

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O Desafio das Águas e o Obstáculo de Pedra

Juntos, em um ritmo mais razoável, Velo e Casca chegaram ao segundo desafio: o Rio Estrondoso. A chuva da noite anterior havia deixado a correnteza muito forte. A água branca batia violentamente nas rochas.

Velo, que era leve, seria levado pela correnteza em segundos. Casca, que era pesado como uma bigorna, afundaria direto para o fundo. Os dois pararam na margem, sem saber o que fazer.

Foi então que Nado, o Espinhossauro, chegou ofegante. Ele sorriu ao ver a água. “Minha vez de brilhar, amigos!”

Nado mergulhou no rio turbulento. A correnteza que assustava os outros era como uma brincadeira para ele. Ele nadou até a outra margem, pegou um cipó bem grosso com os dentes e nadou de volta. Ele enrolou o cipó no tronco de uma árvore e segurou a outra ponta firme na boca, criando uma corda de segurança. “Podem atravessar, segurem-se no cipó! Eu garanto a firmeza!”

Graças à habilidade aquática de Nado e sua força de vontade, Velo e Casca conseguiram cruzar o rio temível em segurança.

Agora, os três amigos corriam lado a lado em direção ao último desafio: a Colina das Pedras Soltas. O caminho até o topo era estreito e, para piorar, um deslizamento de terra havia bloqueado a passagem com três pedregulhos gigantescos.

Velo arranhou a pedra, mas suas garras não fizeram nem cócegas. Casca tentou bater com sua cauda de martelo, mas a rocha era grande demais até para ele. Nado tentou empurrar, mas a terra escorregadia não dava firmeza para suas patas. O caminho estava totalmente bloqueado.

Atrás deles, o chão começou a tremer suavemente. Era Bela, a Braquiossauro, chegando com seus passos longos e calmos.

“Parece que vocês encontraram uma porta trancada,” brincou Bela, abaixando seu longo pescoço. Ela não tinha velocidade, nem armadura, nem nadava bem, mas tinha uma força e um peso que nenhum dos outros possuía.

Bela apoiou seu peito e seu pescoço imenso contra o pedregulho maior. Fez força nas quatro patas grossas e empurrou. Com um som ensurdecedor de pedra raspando em pedra, os pedregulhos rolaram para o lado, liberando totalmente a passagem para o topo da colina.

O Grande Vencedor

Os quatro dinossauros olharam para a descida suave que levava direto à linha de chegada, no Grande Baobá. Velo, agora limpo da lama e descansado, olhou para a pista aberta. Ele sabia que, se quisesse, poderia disparar ali mesmo e cruzar a linha em primeiro lugar antes que os outros dessem três passos.

Ele flexionou os músculos das pernas… e então olhou para trás.

Olhou para Casca, que o salvou da lama. Olhou para Nado, que o ajudou a não se afogar. Olhou para Bela, que abriu o caminho bloqueado. Velo percebeu um grande fato: se não fossem as qualidades de cada um deles, ele ainda estaria preso logo no primeiro obstáculo do percurso. A velocidade sozinha não servia de nada diante dos desafios do mundo.

Velo sorriu, relaxou os músculos e caminhou para o lado de Casca. “Vamos terminar isso do jeito certo.”

No alto da árvore, Juju e todos os outros dinossauros do vale aguardavam ansiosamente para ver quem seria o grande campeão. Eles arregalaram os olhos quando a poeira baixou.

Velo, Casca, Nado e Bela vinham descendo a colina, não correndo um contra o outro, mas caminhando lado a lado. Eles cruzaram a linha de chegada debaixo das sombras do Grande Baobá no exato mesmo segundo.

A floresta inteira explodiu em aplausos e rugidos de alegria. Juju voou até eles e declarou um inédito empate quádruplo!

Naquele ano, a Grande Corrida Jurássica ensinou a todos no vale uma lição muito valiosa: cada dinossauro tem um dom especial e único, e a verdadeira vitória não está em chegar na frente dos outros, mas em reconhecer que, trabalhando juntos, ninguém fica para trás.

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Criador de historia infantil, adoro criar historinhas e também sou uma amante da literatura. Editor e fundador do Historia para dormir.

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