Alice e a Sinfonia das Marés

4 min de leituraHistorinha para dormir
Alice e a Sinfonia das Marés

Alice adorava a praia, mas não apenas para fazer castelos de areia. Ela amava explorar as pequenas poças que se formavam entre as pedras quando a maré baixava. Com suas galochas amarelas e um baldinho vermelho, ela observava os pequenos caranguejos e as anêmonas que pareciam flores de geleia.

Certa tarde, Alice encontrou uma concha diferente. Ela era perolada e brilhava com tons de rosa e azul. Como todo bom explorador faria, Alice encostou a concha no ouvido para escutar o som do mar.

Mas, em vez do barulho das ondas, ela ouviu uma musiquinha triste. De repente, Plop! Uma bolha de sabão gigante e furta-cor saiu da concha, envolveu Alice da cabeça aos pés e mergulhou com ela direto para o fundo do oceano!

Alice não sentiu medo, pois dentro da bolha ela podia respirar perfeitamente. Ela desceu flutuando até chegar ao Reino de Coral. No entanto, o lugar não era colorido como nos livros de biologia. Estava tudo cinza, opaco e sem vida.

— Cuidado onde pisa com essas botas amarelas! — resmungou uma vozinha rouca.

Alice olhou para baixo e viu um caranguejo-ermitão usando uma xícara de chá quebrada como concha.
— Olá! Eu sou a Alice. Por que o recife está tão cinza e triste?

— Eu sou o Barnabé — suspirou o caranguejo. — O recife perdeu as cores porque a Música das Marés acabou. A magia das cores vem da nossa orquestra, mas todo mundo resolveu que queria ser o solista. Agora, é só uma barulheira insuportável!

Para provar o que Barnabé dizia, uma confusão sonora começou. De um lado, os Baiacus estufavam as bochechas e faziam um som grave e estrondoso de tambor: BUM! BUM! BUM! Do outro, as Águas-Vivas batiam seus tentáculos elétricos fazendo um som agudo e irritante: Zzzzap! Zzzzap! E no meio de tudo, os Cavalos-Marinhos sopravam bolhas tão alto que pareciam apitos desafinados: Fweeee! Fweeee!

Ninguém ouvia ninguém. Era uma verdadeira bagunça debaixo d'água, e a cada barulho fora de ritmo, mais um pedacinho do coral ficava cinza.

Alice tapou os ouvidos.
— Chega! — ela gritou, mas sua voz se perdeu no barulho.

Ela precisava chamar a atenção deles. Alice pegou seu baldinho vermelho, virou-o de cabeça para baixo e usou uma conchinha para bater no fundo de plástico.
TOC! TOC! TOC! O som foi tão diferente e rítmico que os peixes pararam imediatamente de fazer barulho para olhar.

— Muito bem, todos vocês têm sons incríveis! — disse Alice, subindo em uma pedra alta como se fosse um palco. — O tambor dos Baiacus é forte. A eletricidade das Águas-Vivas é brilhante. E os apitos dos Cavalos-Marinhos são muito alegres. Mas quando todo mundo grita ao mesmo tempo, não é música. É só barulho!

Os animais se entreolharam, um pouco envergonhados.
— E o que a gente faz, menina da bolha? — perguntou um Baiacu, esvaziando um pouco a bochecha.

— Vocês precisam trabalhar em equipe! Uma orquestra só funciona quando um escuta o outro. Eu serei a maestrina!

Alice pegou um graveto de coral solto para usar como batuta.
— Baiacus, vocês marcam o ritmo. Um, dois, três e...
Bum... Bum... Bum... — O som agora era calmo e como as batidas de um coração.

— Águas-Vivas, entrem no compasso!
Zzap-zzap... Zzap-zzap... — O som se encaixou perfeitamente entre os tambores.

— Agora os Cavalos-Marinhos! Façam a melodia!
Fweee-fweee-fweee! — Os apitos dançaram por cima do ritmo, formando uma música linda e animada.

Enquanto a verdadeira Sinfonia das Marés ecoava pelo fundo do mar, algo mágico aconteceu. O cinza começou a descascar. Os corais voltaram a brilhar em tons de rosa-choque, verde-neon e azul-turquesa. Cardumes de peixinhos prateados começaram a dançar ao redor de Alice. O recife estava vivo e colorido novamente!

Barnabé, o caranguejo, bateu suas garras no ritmo, sorrindo pela primeira vez em anos.

A bolha mágica de Alice começou a flutuar de volta para a superfície. Ela acenou para seus novos amigos enquanto a música ficava cada vez mais suave. Quando Plop! a bolha estourou, Alice estava de volta à praia, sentada na areia com a concha perolada na mão.

Ela sorriu, guardou a concha no bolso e aprendeu que a voz de todo mundo é importante, mas que a mágica mais bonita acontece quando sabemos a hora de falar e a hora de escutar.

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