Léo e o Pintor da Noite

Léo era o melhor desenhista da Rua dos Girassóis. Com seus lápis de cor, ele criava dragões amigáveis, foguetes supervelozes e florestas mágicas. Durante o dia, a imaginação de Léo era sua melhor amiga. Mas, quando a noite chegava e a mamãe apagava a luz do quarto... a imaginação de Léo mudava de lado.
No escuro, a cadeira cheia de roupas virava um urso faminto. A porta do guarda-roupa entreaberta parecia a boca de um gigante. E o espaço debaixo da cama? Ah, esse era o pior de todos. Léo tinha certeza de que ali morava o "Monstro do Pé Frio".
Por isso, Léo só conseguia dormir com sua luzinha de presença, uma pequena lâmpada em formato de foguete que ficava na tomada.
Até que, em uma noite de terça-feira chuvosa, houve um estalo. Plic. A luzinha do foguete piscou e apagou.
O quarto mergulhou na escuridão total. Léo puxou o cobertor até o nariz, com o coração batendo rápido como um tambor. Ele fechou os olhos com muita força, esperando o urso de roupas rosnar ou o gigante do guarda-roupa acordar.
Mas, em vez de um rugido, Léo ouviu um espirro bem fininho.
— Atchim! Léo abriu um olho. Depois o outro. Bem no meio do quarto, onde a escuridão era mais espessa, havia uma bolota felpuda. Não era um monstro assustador com dentes afiados. Parecia um ursinho de pelúcia feito de uma fumaça muito escura, com dois olhos grandes, brancos e brilhantes que piscavam como vagalumes.
A criaturinha segurava um pincel enorme e esfregava o narizinho.
— Quem... quem é você? — sussurrou Léo, esquecendo o medo por um segundo por causa da curiosidade.
— Eu sou o Bubu — respondeu a criaturinha, com uma voz suave como um sopro. — Eu sou um Pintor da Noite. Mas acho que deixei meu balde de poeira estelar cair debaixo da sua cama quando me assustei com o seu cobertor voador.
Léo olhou para o cobertor. Ele não era um monstro, era só um cobertor. E Bubu, que era feito da própria escuridão, parecia mais assustado que o próprio Léo.
— Você pinta a noite? Como assim? — perguntou o menino.
— O escuro não é vazio, Léo — explicou Bubu, sentando-se no tapete. — O escuro é como uma folha de papel preta. É a nossa tela em branco! Sem o escuro, como é que as estrelas e a lua iriam aparecer? A luz precisa do escuro para poder brilhar. Mas sem o meu balde de poeira estelar, seu quarto vai ficar apenas uma tela em branco.
Léo olhou para o espaço escuro debaixo da cama. Era o lugar que ele mais temia. Mas Bubu precisava de ajuda, e Bubu era seu novo amigo.
Respirando fundo, Léo engatinhou até a beirada da cama. Ele fechou os olhos, enfiou a mão na escuridão debaixo do colchão e tateou. Não encontrou garras, nem dentes. Encontrou apenas o chão frio, uma meia perdida e... um baldinho de metal.
Ele puxou o balde. Dentro dele, brilhava um pó prateado e mágico, que iluminou o rosto de Léo com uma luz quente e suave.
— Você achou! — comemorou Bubu, dando pulinhos de alegria. — Agora, pegue o seu pincel de imaginação, Léo. Vamos desenhar!
Bubu mergulhou seu pincel no balde mágico e tocou a parede. Uma estrela brilhante apareceu. Léo, usando apenas o dedo indicador, mergulhou na poeira estelar e tocou o teto. Plim! Uma constelação inteira em formato de foguete surgiu.
Os dois passaram a noite pintando o quarto. Eles desenharam galáxias, planetas com anéis coloridos e cometas risonhos. O quarto escuro de Léo se transformou no lugar mais mágico, brilhante e acolhedor do universo inteiro.
Quando o sono finalmente começou a pesar nos olhos do menino, ele se deitou em sua cama, observando o teto iluminado por suas próprias criações. Bubu acenou, desaparecendo gentilmente nas sombras do canto da parede.
No dia seguinte, a mãe de Léo comprou uma lâmpada nova para o foguete. Mas, na hora de dormir, Léo balançou a cabeça.
— Não precisa, mamãe. Pode deixar apagado.
Ele entendeu que não havia motivos para temer o escuro. Afinal, o escuro era apenas um lugar silencioso, esperando que ele fechasse os olhos para acender as estrelas da sua própria imaginação.
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