O Dinossauro que Queria Tocar as Nuvens

No imenso e verdejante Vale dos Gigantes, o chão tremia todos os dias. Eram as patas pesadas dos Tricerátops marchando e os estrondos dos Tiranossauros Rex correndo.
Rexy era um filhote de T-Rex. Ele tinha escamas laranjas brilhantes, perninhas fortes e bracinhos muito, muito curtos. Enquanto os outros filhotes adoravam brincar de rosnar e assustar os insetos gigantes, Rexy passava horas deitado no pasto alto, de barriga para cima, olhando para o céu azul.
Seu passatempo favorito era observar as nuvens. Algumas pareciam montanhas de algodão, outras pareciam grandes Pterodáctilos voando sem bater as asas. Rexy achava que as nuvens deviam ser a coisa mais macia do mundo.
Um dia, ele tomou uma decisão importante.
— Eu vou tocar uma nuvem! — anunciou Rexy, estufando o peito minúsculo.
Seu amigo Cadu, um pequeno e agitado Velociraptor, parou de correr em círculos e caiu na gargalhada.
— Tocar as nuvens? Rexy, você é um Tiranossauro! Nós temos os braços mais curtos do vale. Você não consegue nem coçar a própria cabeça, como vai alcançar o céu?
Os outros dinossauros riram. Mas Rexy não desistiu. Ele sabia que se ele pulasse alto o bastante, ele conseguiria.
Ele correu até o topo da Colina dos Ventos. Respirou fundo, dobrou os joelhos fortes e deu o maior pulo que um T-Rex já deu!
BUM!
Rexy caiu de bumbum no chão, levantando uma poeira avermelhada. Ele nem sequer passou da copa da árvore mais baixa.
— Pular não funciona — resmungou o dinossaurinho, limpando a poeira das escamas. — Preciso de um plano melhor. Preciso falar com o Senhor Pescoçudo.
O Senhor Pescoçudo era um Braquiossauro muito velho e sábio, o maior dinossauro do vale. Ele era tão alto que, quando comia as folhas do topo das árvores, sua cabeça sumia na neblina.
Rexy marchou bravamente até o lago onde o gigante costumava beber água.
— Com licença, Senhor Pescoçudo! — gritou Rexy, olhando lá para cima.
O enorme dinossauro abaixou seu pescoço longo lentamente, como um guindaste gentil, até ficar cara a cara com o pequeno T-Rex.
— Olá, pequeno Rexy. O que o traz aqui embaixo?
— Eu quero tocar as nuvens — explicou Rexy, determinado. — Mas meus braços são muito curtos e meus pulos não são altos o bastante. O senhor é o dinossauro mais alto do mundo. Qual é o segredo?
O Braquiossauro soltou uma risada profunda que fez a água do lago ondular.
— Ah, pequeno Rexy... Eu sou muito alto, é verdade. Mas mesmo eu nunca consegui tocar as nuvens. Elas estão muito além das árvores mais altas. Não fomos feitos para o céu.
Rexy abaixou a cabeça, desanimado. Talvez Cadu estivesse certo. Talvez fosse um sonho bobo para um dinossauro como ele.
Ele estava voltando triste para casa, arrastando o rabo no chão, quando ouviu um barulho estranho vindo da beira de um precipício.
— Socorro! Me ajudem!
Rexy correu até lá e viu Pipa, uma filhote de Pterodáctilo. Ela tinha ficado presa em um cipó emaranhado perto da beirada e não conseguia soltar as asas.
— Não se preocupe, Pipa! Eu vou te ajudar! — disse Rexy.
Como seus braços eram muito curtos para desfazer o nó do cipó, ele usou seus dentes fortes e afiados de T-Rex para morder e cortar a planta espinhosa. Em dois segundos, Pipa estava livre.
— Ufa! Muito obrigada, Rexy! Você é o herói do vale! — agradeceu Pipa, batendo as asinhas roxas. — Como posso retribuir?
Rexy olhou para o céu. As nuvens pareciam ainda mais bonitas no fim da tarde, ganhando tons de rosa e laranja.
— Eu só queria tocar uma nuvem, mas meus braços são curtos e eu não sei voar.
Pipa sorriu.
— Você não precisa voar, Rexy. E nem ter braços compridos. Você só precisa de uma amiga que saiba voar por você!
Pipa mandou Rexy se deitar no chão. Então, ela voou até a árvore mais alta, onde crescia o "Algodão-do-Vale", uma planta rara cujas flores pareciam tufos perfeitos de algodão doce. Ela colheu a flor mais fofinha e macia que encontrou e voou de volta.
Pousando suavemente no nariz de Rexy, Pipa esfregou a flor macia nas bochechas e na cabeça do pequeno T-Rex.
Rexy fechou os olhos. A sensação era incrivelmente suave, leve e fresca.
— É assim que uma nuvem se parece? — perguntou ele, sorrindo.
— Sim! — disse Pipa. — Trouxe um pedacinho dela para você.
Naquele dia, Rexy aprendeu duas grandes lições. A primeira era que você não precisa pular até o céu para alcançar seus sonhos; às vezes, a imaginação traz o céu até você. A segunda, e mais importante, era que ter braços curtos não importava nada, desde que você tivesse amigos com braços e asas longas o suficiente para te ajudar.
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