O Dragãozinho Nilo e o Suspiro de Nuvem

No Vale das Pedras Brilhantes, morava Nilo. Ele era um dragãozinho muito simpático, gordinho, verde da cor de grama nova e com escamas roxas nas costas. Nilo adorava brincar, mas tinha um defeito terrível: ele ficava irritado muito, muito rápido.
E quando um dragão fica irritado, as coisas esquentam de verdade.
Certa manhã, Nilo estava construindo a maior e mais alta torre de blocos de madeira que ele já havia feito. Faltava apenas uma pecinha vermelha para o telhado. Ele pegou o bloco com a ponta de suas garrinhas, prendeu a respiração e colocou no topo.
Mas a torre balançou. Balançou para a esquerda, balançou para a direita e... CRASH! Todos os blocos caíram espalhados pelo chão.
Nilo sentiu o rosto ficar quente. Uma coceira esquisita começou na sua barriga e subiu até a garganta. Fumaça escura saiu pelas suas narinas. Ele abriu a boca para gritar de raiva e...
FWOOSH!
Uma grande bola de fogo saiu da boca dele. Quando a fumaça baixou, seus lindos blocos de madeira colorida haviam se transformado em um monte de cinzas cinzentas.
Nilo sentou no chão e começou a chorar. Ele estava com raiva porque a torre caiu, mas estava ainda mais triste porque ele mesmo havia queimado seus brinquedos favoritos.
— Croac... Que cheiro de torrada queimada! — disse uma voz mansa e musical.
Nilo limpou os olhos e viu um pequeno sapo sentado em cima de uma pedra de cristal. Ele usava um chapeuzinho de palha e segurava uma flauta feita de um pedaço de bambu. Era o Maestro Zeca, o animal mais tranquilo de todo o vale.
— Fui eu — soluçou Nilo. — Eu fiquei com raiva e o vulcão explodiu. Eu sempre estrago tudo quando fico bravo!
O Maestro Zeca deu um pulinho e parou bem na frente do nariz soluçante do dragãozinho.
— Sentir o vulcão acordar na barriga é normal, Nilo. Todo mundo fica frustrado. Mas você não precisa deixar o vulcão explodir. Você pode transformá-lo em uma nuvem.
Nilo franziu a testa.
— Como se transforma fogo em nuvem?
— Com o Suspiro de Nuvem! — Zeca sorriu. — Funciona assim: quando a sua torre cair e você sentir que a fumaça quer sair pelo nariz, não abra a boca na mesma hora. Feche os olhos, puxe o ar pelo nariz devagarzinho, como se estivesse cheirando a flor mais cheirosa do mundo. Encha a barriga como um balão. Depois, solte o ar pela boca bem devagar, como se estivesse soprando uma velhinha de aniversário sem querer apagá-la de uma vez.
Nilo achou aquilo meio bobo, mas decidiu tentar. Zeca pegou alguns cristais redondos e os empilhou.
— Tente fazer uma nova torre com esses cristais — disse o sapo.
Nilo começou a empilhar os cristais. Eram muito escorregadios! No quarto cristal, a pilha desmoronou. Plim, plim, plom!
O calor subiu. A fumaça escura ameaçou sair pelas narinas de Nilo. Ele quis gritar, mas lembrou do Maestro Zeca.
Ele fechou os olhos.
Cheirou a flor imaginária... Puxou o ar pelo nariz devagar, enchendo a barriguinha verde.
O calor na garganta pareceu parar de crescer.
Então, ele fez um biquinho e soltou o ar devagar pela boca. Fuuuuuu...
Em vez de fogo, saiu apenas um anel de fumaça branca, suave e inofensiva, que flutuou para cima como uma pequena nuvem e desapareceu.
Nilo abriu os olhos. Ele não estava mais com raiva. O peito estava calmo, e os cristais estavam ali, intactos e geladinhos, prontos para serem empilhados de novo.
— Eu consegui! — comemorou Nilo, dando um abraço apertado no sapo (que quase ficou sem ar). — Eu fiz o Suspiro de Nuvem!
A partir daquele dia, a torre de Nilo caiu muitas outras vezes. E em todas elas, ele sentia a raiva querer aparecer, mas ele apenas fechava os olhos e soprava a sua nuvenzinha mágica. Nilo aprendeu que ser forte não é cuspir o maior fogo, mas sim saber dominar o próprio vulcão.
O Que Achou da Historinha?
Toque nas estrelas para avaliar
O que achou desta história?
Comentários (0)
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!



