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O Relógio Apressado

Historinha O Relógio Apressado

No alto da parede da sala de estar da família Silva, pendurado com orgulho, vivia um relógio diferente dos outros. Chamava-se Tic-Tac, mas, secretamente, se sentia mais como Tac-Tic-Tac-Tic, um som repetitivo e frenético que ditava a vida de todos na casa. Tic-Tac era um relógio bonito, com moldura de madeira escura e um mostrador branco onde os números romanos brilhavam em dourado. Seus ponteiros, finos e elegantes, dançavam incessantemente, marcando segundos, minutos e horas.

Tic-Tac amava sua família. Gostava de ver Dona Ana, a mãe, correndo para preparar o café da manhã, o aroma delicioso de pão torrado e café fresco invadindo a sala. Admirava o Seu Carlos, o pai, organizando seus papéis antes de sair para o trabalho, sempre com a gravata perfeitamente alinhada. E adorava observar as crianças, Sofia e Pedro, correndo para pegar suas mochilas e embarcar no ônibus escolar, cheios de energia e alegria.

Mas, secretamente, Tic-Tac estava cansado. Cansado de ser o mestre do tempo, de sempre apressar as pessoas, de ser o responsável por todos os horários. “Depressa, depressa, estão atrasados!”, parecia gritar a cada segundo, mesmo que ninguém o ouvisse. Sonhava em ter um dia de folga, um dia para apreciar a beleza do mundo sem a pressão constante do tempo.

Um dia, Tic-Tac tomou uma decisão ousada. Naquela manhã, enquanto Dona Ana preparava o café, Seu Carlos lia o jornal e as crianças se preparavam para a escola, Tic-Tac simplesmente parou. Seus ponteiros se imobilizaram, travados nas 7h15 da manhã.

No início, ninguém percebeu. Mas, logo, a Dona Ana estranhou a falta do tic-tac familiar. “Que estranho, o relógio parou!”, exclamou ela, enquanto Seu Carlos tentava dar corda ao mecanismo. Mas Tic-Tac estava determinado. Não se moveria.

A família Silva, sem o ditador do tempo, sentiu uma estranha sensação de liberdade. Dona Ana preparou o café com calma, apreciando o aroma e o sabor de cada ingrediente. Seu Carlos leu o jornal com atenção, sem se preocupar em chegar atrasado ao trabalho. Sofia e Pedro brincaram um pouco mais antes de sair para a escola, aproveitando a manhã ensolarada.

Enquanto isso, Tic-Tac, parado na parede, observava a vida da família com um novo olhar. Viu Dona Ana sorrindo enquanto cuidava das plantas na janela, Seu Carlos contando uma piada para as crianças, Sofia ajudando Pedro a amarrar os sapatos. Viu a beleza nos pequenos momentos, nas coisas simples que, na correria do dia a dia, passavam despercebidas.

Tic-Tac começou a se sentir mais leve, mais relaxado. Percebeu que o tempo não era apenas uma medida de segundos, minutos e horas. Era também a oportunidade de viver, de amar, de aproveitar cada instante.

Decidiu, então, que era hora de viver sua própria aventura. Com um esforço tremendo, se desprendeu da parede e, com um baque surdo, caiu no chão. A família Silva, assustada com o barulho, correu para ver o que havia acontecido.

“Oh, Tic-Tac! O que você fez?”, exclamou Sofia, pegando o relógio com cuidado.

Tic-Tac, mesmo sem poder falar, transmitiu seu desejo à Sofia. Ele queria sair, conhecer o mundo, viver em câmera lenta. Sofia, compreendendo o desejo do relógio, pediu permissão aos pais para levá-lo para passear.

A aventura de Tic-Tac começou ali. Sofia o levou ao parque, onde ele observou as crianças brincando, os pássaros cantando e as flores desabrochando. Pedro o levou para a biblioteca, onde ele “leu” histórias e aprendeu sobre o mundo. Seu Carlos o levou ao museu, onde ele apreciou obras de arte e descobriu a beleza da história. E Dona Ana o levou ao jardim, onde ele sentiu o cheiro das flores e ouviu o zumbido das abelhas.

Durante aquele dia especial, Tic-Tac viveu intensamente cada momento, sem a pressão do tempo. Aprendeu que a felicidade não está em correr contra o tempo, mas em aproveitá-lo.

No final do dia, a família Silva levou Tic-Tac de volta para casa. Seu Carlos consertou o relógio e o pendurou novamente na parede. Tic-Tac voltou a funcionar, marcando os segundos, minutos e horas.

Mas, agora, Tic-Tac era diferente. Ele continuava a lembrar a família dos horários, mas não com a mesma pressa de antes. Aprendera que o tempo é precioso, mas que a vida é ainda mais. E, secretamente, sempre que podia, diminuía um pouco o ritmo, convidando a família a apreciar os pequenos momentos, a respirar fundo e a aproveitar a beleza do mundo que os cercava.

E assim, Tic-Tac, o Relógio Apressado, se tornou um Relógio Sábio, ensinando a todos que a vida é uma aventura em câmera lenta que merece ser apreciada a cada segundo. E a família Silva, agradecida, aprendeu a viver com mais calma, a valorizar cada instante e a amar o tempo, não como um mestre, mas como um amigo.

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historinha

Criador de historia infantil, adoro criar historinhas e também sou uma amante da literatura. Editor e fundador do Historia para dormir.

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