O Robô Eco e a Busca Pela Própria Voz

4 min de leituraHistorinha para dormir
O Robô Eco e a Busca Pela Própria Voz

No alto da Colina de Bronze, ficava a Cidade das Engrenagens. Era um lugar barulhento e alegre, onde tudo funcionava com molas, parafusos e vapor. Lá vivia Nina, uma menina de macacão jeans com os bolsos sempre cheios de chaves de fenda e porcas de metal.

Nina adorava construir coisas. Sua maior e mais querida invenção era Eco, um robozinho prateado com olhos que acendiam em azul e duas pequenas antenas na cabeça.

Eco era um robô de som. Nina havia instalado no peito dele um Cristal de Síntese, uma pedrinha mágica que permitia a Eco ouvir qualquer barulho do mundo e repeti-lo perfeitamente, como um papagaio de metal.

Se um cachorrinho latia na rua (Au! Au!), Eco piscava os olhos e repetia um latido idêntico: Au! Au!
Se o sino da torre tocava (Blem! Blom!), Eco fazia exatamente o mesmo som: Blem! Blom!

Todos na cidade adoravam as imitações de Eco. Mas, certa noite, enquanto Nina limpava as engrenagens dele, ela percebeu que as luzes azuis dos olhos do robozinho estavam fracas e baças.

— O que foi, Eco? — perguntou Nina, preocupada. — Suas baterias estão cheias. Por que você está triste?

Eco abaixou a cabecinha de metal.
— Pio, pio, pio... — ele imitou o som de um passarinho triste. Depois, usou a voz do padeiro da cidade para falar: — O Grande Festival da Música é amanhã, Nina. Todo mundo vai cantar. Mas eu não posso participar.

— Claro que pode! — disse a menina. — Você pode imitar o violino do Senhor Tobias ou a flauta da Dona Elza!

— Mas essa não seria a minha voz — respondeu Eco, agora usando a voz da própria Nina. — Eu só sei ser um espelho. Eu repito o que os outros dizem. Eu queria ter a minha própria voz. Uma voz que fosse só minha, para cantar a minha própria música.

Nina abraçou o robozinho frio, sentindo o coração dele fazer um tic-tac suave. Ela entendeu o problema. Ser capaz de falar como todo mundo não significava que ele sabia quem ele era de verdade.

No dia seguinte, a praça da cidade estava toda enfeitada com bandeirinhas. O Grande Festival da Música havia começado. O Senhor Tobias tocou um violino rápido e alegre, e todos bateram palmas. A Dona Elza cantou uma música doce, e todos suspiraram.

Eco estava sentado num cantinho, apenas assistindo. Ele não queria imitar ninguém hoje.

Foi então que o microfone principal da praça, que funcionava a vapor, deu um estouro terrível: PFFF-BUM! A máquina quebrou bem no meio da festa. Sem o microfone de vapor, a música não podia continuar, e a praça inteira ficou em um silêncio triste.

Nina olhou para o microfone quebrado, depois olhou para Eco. Ela correu até o amigo e segurou suas mãozinhas de metal.
— Eco, feche os olhos! — pediu ela.

— Para imitar quem? — perguntou ele, confuso.

— Para imitar ninguém! — disse Nina, sorrindo grande. — Preste atenção em você mesmo. Escute os sons que estão aí dentro da sua barriguinha de lata.

Eco fechou os olhinhos azuis. Ele parou de prestar atenção no mundo lá fora e escutou a si mesmo.
Ele ouviu o tic-tac constante de sua mola principal.
Ouviu o fsssh do vapor fresquinho passando por seus tubinhos.
Ouviu o clique-claque das suas rodinhas de cobre girando bem devagar.

— Agora, coloque tudo isso para fora! — incentivou Nina.

Eco abriu a boca. Ele não usou a voz do padeiro, nem o latido do cachorro. Ele deixou o Cristal de Síntese tocar a música das suas próprias engrenagens.

Começou como um sussurro rítmico: Tic-tac, fsssh, clique-claque...
O ritmo foi ficando mais rápido, mais animado. As luzes azuis de Eco começaram a piscar no ritmo do seu próprio coração. Ele começou a soltar sons eletrônicos, assobios metálicos e batidas graves que ninguém nunca tinha ouvido antes. Era um som robótico, moderno, cheio de energia e completamente original!

As pessoas na praça arregalaram os olhos. De repente, as crianças começaram a bater palmas no ritmo da música do Eco. O Senhor Tobias pegou o violino e começou a acompanhar o robozinho.

A praça inteira virou uma grande festa de dança. Eco estava cantando! Não era a voz de um passarinho, nem a voz de um humano. Era a voz de um pequeno robô prateado, única, especial e incrivelmente divertida.

Quando a música acabou, a cidade inteira aplaudiu de pé. Eco olhou para Nina, e seus olhos brilhavam mais fortes do que nunca. Ele finalmente havia descoberto a sua própria voz. E ela era perfeita.

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