Tico, o Tatuzinho Apressado e a Sinfonia das Pedras

3 min de leituraHistorinha para dormir
Tico, o Tatuzinho Apressado e a Sinfonia das Pedras

Na clareira da Terra Vermelha, a primavera havia chegado. Era a época em que os jovens animais começavam a construir suas próprias casas. Tico, um tatuzinho-bola que vivia com o peito estufado de energia, estava ansioso. Ele queria construir a maior, mais segura e mais bonita toca de toda a região. E queria fazer isso até a hora do almoço!

— Vou cavar mais rápido que o vento! — disse Tico para si mesmo, girando os bracinhos como se fossem pás de um moinho.

E ele cavou. Jogou terra para a esquerda, pedras para a direita, poeira para todos os lados. Em menos de uma hora, ele tinha um túnel enorme. Mas, como ele não parou para amassar a terra das paredes ou tirar as raízes soltas, bastou um passarinho pousar no teto para que tudo desmoronasse. POF! Tico ficou coberto de terra da cabeça aos pés.

Ele tentou de novo. Dessa vez, tentou fazer uma casa de gravetos, copiando os castores. Juntou galhos correndo, empilhou de qualquer jeito e, quando foi entrar, um vento fraco derrubou tudo.

Frustrado, Tico sentou-se em uma pedra, com o focinho sujo e os olhos cheios d'água. Ele olhou ao redor. Os joão-de-barro construíam seus ninhos de barro, colocando um pedacinho de lama por vez, bem devagar. As formigas carregavam uma folhinha por viagem, sem pressa.

— Por que nada dá certo para mim? — suspirou Tico, enrolando-se até virar uma bolinha triste.

— Porque você está tentando ouvir o final da música antes mesmo de tocar a primeira nota — disse uma voz rouca e arrastada.

Tico desenrolou-se e viu Dona Casca, a tartaruga mais antiga da clareira. Ela andava tão devagar que musgos cresciam em seu casco.

— Dona Casca, eu só quero uma casa forte e bonita. Mas não quero demorar semanas como o joão-de-barro! — reclamou o tatuzinho.

A tartaruga sorriu lentamente.
— Tico, venha comigo.

Ela caminhou a passos curtíssimos até a beira do riacho. Levou quase vinte minutos, e Tico teve que se segurar para não sair correndo na frente. Chegando lá, ela apontou para as pedras no fundo da água. Elas eram perfeitamente redondas, lisas e brilhantes, como pedras preciosas.

— Sabe quem esculpiu essas pedras, Tico? — perguntou Dona Casca.
— Um escultor muito rápido? — chutou ele.
— A água — respondeu ela. — A água passa por elas, todos os dias, um pouquinho de cada vez. Sem pressa. Se a água passasse toda de uma vez, seria uma enchente, e só traria destruição. Mas passando devagar, com paciência, ela cria uma obra de arte. As coisas que duram para sempre não são feitas na pressa. Elas são feitas com cuidado.

Tico olhou para as pedras lisinhas e depois para suas próprias garras sujas. Ele entendeu. A pressa estava construindo buracos frágeis; a paciência construiria um lar.

No dia seguinte, Tico não correu. Ele escolheu um bom barranco. Cavou um palmo de terra. Parou, observou e bateu com a cauda para deixar o chão firme. Encontrou uma raiz no caminho e, em vez de arrancá-la com pressa, cavou ao redor dela com cuidado, transformando-a em uma bela prateleira natural.

Ele demorou três semanas inteiras. Foi o último animal da clareira a terminar sua casa.

Mas quando terminou, não era apenas um buraco. Era uma toca maravilhosa, com paredes firmes, prateleiras de raízes e uma entrada perfeitamente redonda, forrada com folhas macias. Na primeira tempestade de verão, enquanto muitos abrigos feitos às pressas precisaram de remendos, a toca de Tico nem sequer tremeu. Ele estava seguro, quentinho e orgulhoso.

Ele havia descoberto que o segredo não era a velocidade das suas garras, mas a paciência do seu coração.

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