Aventura

Viagem ao planeta dos brinquedos

Historinha Viagem ao planeta dos brinquedos

Theo era um menino de oito anos que tinha um problema muito comum: o quarto dele parecia ter sido atingido por um furacão. Havia carrinhos sem rodas debaixo da cama, peças de montar espalhadas pelo tapete (que doíam muito quando alguém pisava nelas) e bichos de pelúcia esquecidos no fundo do armário.

Theo amava seus brinquedos, mas ultimamente, ele estava mais interessado no tablet. Os brinquedos ficavam lá, parados, com seus olhos de vidro e plástico, esperando por uma aventura que nunca chegava.

Numa noite de terça-feira, a lua cheia estava tão brilhante que parecia uma lanterna acesa na janela de Theo. Ele estava quase dormindo quando ouviu um barulho estranho. Zzzzt… Click. Bip!

Theo abriu um olho. O barulho vinha do baú de madeira onde ele guardava seus brinquedos mais antigos. Ele se sentou na cama e esfregou os olhos. A tampa do baú começou a tremer. De repente, uma luz azulada, brilhante como neon, começou a vazar pelas frestas da madeira.

— O que é isso? — sussurrou Theo, pulando da cama.

Com coragem (e um pouco de medo), ele levantou a tampa. Não havia fundo no baú. Em vez de ver o fundo de madeira, Theo viu um redemoinho de estrelas coloridas, como se uma galáxia inteira estivesse girando ali dentro. E, bem na borda, segurando-se para não cair, estava o Comandante Zog, seu robô favorito que estava sem bateria há meses.

Mas Zog não estava parado. Ele virou a cabeça de metal para Theo, piscou seus olhos de LED e falou com uma voz metálica e clara: — Theo! Graças às engrenagens! O portal se abriu. Precisamos de você. Rápido, segure minha mão!

Theo estava tão surpreso que nem pensou duas vezes. Ele esticou a mão. Assim que seus dedos tocaram a mão fria de metal do robô, ele sentiu um puxão forte. VUPT! O quarto desapareceu. A cama, a janela, o tapete… tudo sumiu.

Theo sentiu que estava escorregando por um tobogã gigante feito de luz. O vento passava por ele com cheiro de chiclete de uva e plástico novo. Depois de alguns segundos de queda divertida, ele aterrissou suavemente em algo fofo.

Ele se levantou e olhou ao redor. Seu queixo caiu. Ele estava em um mundo onde a grama era feita de veludo verde macio. As árvores não tinham folhas, mas sim nuvens de algodão-doce ou peças de montar coloridas empilhadas até o céu. O rio que corria ao lado não era de água, mas de bolinhas de gude azuis que faziam um barulho relaxante (clic-clac-clic) enquanto rolavam pela correnteza.

— Bem-vindo a Brinquedândia — disse o Comandante Zog, que agora parecia maior, quase da altura de Theo. — O planeta onde nós vivemos quando vocês, humanos, estão dormindo.

Theo olhou para o lado e viu uma cidade incrível. Os prédios eram castelos de areia gigantes ou casas de boneca vitorianas. No céu, pipas voavam sozinhas e aviõezinhos de papel faziam acrobacias perfeitas.

— É… é incrível! — exclamou Theo.

Mas Zog parecia preocupado. Sua luzinha vermelha no peito piscava rápido. — Era para ser incrível, Theo. Mas olhe lá para o Norte.

Theo olhou. No horizonte, uma névoa cinzenta e pesada estava avançando, engolindo as cores vibrantes do planeta. Onde a névoa tocava, o veludo virava poeira e as peças de montar desmoronavam.

— Aquilo é o Névoa do Esquecimento — explicou Zog. — Ela cresce toda vez que uma criança na Terra para de usar a imaginação. Se a névoa cobrir a Torre de Cristal, Brinquedândia vai virar sucata para sempre. Precisamos da sua ajuda para reativar a Torre.

— Minha ajuda? Mas eu sou só um menino! Eu não tenho superpoderes. — Você tem o maior poder de todos — disse uma voz suave atrás dele.

Theo se virou e viu a Princesa Lila, uma boneca de pano que ele tinha dado para sua irmãzinha, mas que vivia jogada no chão. Aqui, ela era majestosa, com um vestido feito das sedas mais finas e cabelos de lã brilhante. — Você tem a Imaginação, Theo — disse ela. — Aqui, o que você imagina se torna real. É o único combustível que pode deter a névoa.

Para chegar à Torre de Cristal, eles precisavam atravessar o Vale dos Quebra-Cabeças. O chão era feito de peças gigantes de papelão que estavam todas bagunçadas. Havia buracos enormes entre as peças.

— Não conseguimos passar! — disse Zog. — Minhas rodas não giram nesses buracos.

Theo olhou para o caos. A névoa cinza vinha se aproximando atrás deles, silenciosa e fria. Ele precisava pensar rápido. Ele se lembrou de como montava quebra-cabeças no chão da sala com seu avô. — Esperem — disse Theo. — Eu consigo ver o padrão!

Ele subiu em uma pedra alta. Ele fechou os olhos e imaginou as peças se encaixando. Ele apontou o dedo. — Aquela peça azul vai ali! A peça com desenho de flor vai lá!

Assim que Theo imaginou e apontou, as peças gigantes flutuaram no ar e se encaixaram com um estalo satisfatório. CLACK! Em segundos, uma estrada perfeita se formou. — Funciona! — gritou Theo, correndo pela estrada. — Minha imaginação funciona mesmo!

Eles continuaram correndo, passando pela Floresta dos Carrinhos (onde árvores davam frutos em forma de rodas) e pelo Lago de Slime (que era divertido de pular). Mas, quando chegaram ao pé da Torre de Cristal, encontraram um guardião terrível.

Era o Barão da Poeira. Ele era um monstro enorme, feito daquela sujeira cinza e fofa que fica embaixo da cama quando a gente não varre. Ele tinha olhos sonolentos e bocejava o tempo todo.

— Nãããão passem… — bocejou o Barão, com uma voz lenta e arrastada. — Para que salvar a torre? É muito cansativo… Vamos apenas dormir… e esquecer… e deixar a poeira cobrir tudo…

O Comandante Zog tentou atirar um raio laser de brinquedo, mas o raio apenas atravessou a poeira sem fazer nada. A Princesa Lila tentou argumentar, mas a voz sonolenta do monstro a fazia querer dormir também. Theo sentiu suas pálpebras pesarem. A vontade de deitar e não fazer nada era enorme. Era a mesma sensação de quando ele ficava horas olhando para uma tela sem pensar em nada.

— Não! — gritou Theo, sacudindo a cabeça. — Brincar é divertido! Aventura é vida!

Ele olhou ao redor. Não havia armas. Mas havia um graveto simples no chão. No mundo real, era apenas um pedaço de madeira. Mas na mão de uma criança imaginativa… Theo pegou o graveto. Ele fechou os olhos e se concentrou com toda a força. Ele não viu um graveto. Ele viu a Espada da Luz Solar, brilhante, dourada e quente.

Quando ele abriu os olhos, o graveto em sua mão brilhava como uma estrela. — Afaste-se, Barão! — gritou Theo. — A preguiça não vai vencer hoje!

Ele correu e brandiu a espada de luz. Ele não precisou bater no monstro. Apenas a luz e o vento gerados pelo movimento da “espada” foram suficientes. O Barão da Poeira, que odiava movimento e energia, gritou e se desfez em mil pedacinhos de cotão inofensivo que voaram com a brisa.

Livres, Theo, Zog e Lila correram para dentro da Torre. No centro, havia um grande cristal em forma de coração, que estava cinza e apagado.

— Como eu ligo isso? — perguntou Theo. — Onde está o botão? — Não tem botão — disse Zog. — Você precisa nos dar energia. Você precisa… brincar.

Theo entendeu. Ele olhou para Zog e Lila. Ele não viu um robô e uma boneca. Ele viu seus melhores amigos. Ele começou a narrar uma história, ali mesmo, em voz alta. — “E então, o bravo Comandante Zog e a sábia Princesa Lila voaram pelo espaço para salvar a galáxia!”

Theo começou a correr ao redor do cristal, segurando as mãos dos seus amigos, rindo, pulando, criando cenários em sua mente. Ele imaginou dragões, festas de chá submarinas e corridas de carros lunares.

A alegria pura de Theo, a energia de uma criança brincando de verdade, começou a girar como um furacão de cores. O cristal no centro absorveu aquela energia. Primeiro, ele brilhou rosa. Depois azul. Depois dourado. VUUUUM!

Um feixe de luz arco-íris saiu do topo da torre e se espalhou por todo o planeta Brinquedândia. A Névoa do Esquecimento foi empurrada para longe, dissolvida pela luz da criatividade. As cores voltaram, mais vibrantes do que nunca. Os rios de bolinha de gude cantaram, e as árvores de Lego ficaram firmes.

O planeta estava salvo. O Comandante Zog apertou a mão de Theo. — Você salvou nosso mundo, Capitão Theo. — Eu? — riu o menino. — Eu só brinquei. — Exatamente — sorriu a Princesa Lila. — Brincar é a coisa mais séria e poderosa que existe. Nunca se esqueça disso.

O baú de luz apareceu novamente. Era hora de voltar. — Vocês virão comigo? — perguntou Theo. — Nós sempre estamos com você — disse Zog. — Basta você olhar para nós e não ver apenas plástico, mas ver vida.

Theo pulou no portal.

Theo acordou em sua cama. O sol da manhã entrava pela janela. Ele se sentou, confuso. Teria sido um sonho?

Ele olhou para o baú. Estava fechado. Ele olhou para o chão. Lá, sentado perto do pé da cama, estava o Comandante Zog. Mas ele não estava caído de qualquer jeito como ontem. Ele estava sentado, com o braço levantado, como se estivesse fazendo uma saudação militar. E, estranhamente, sua antena torta estava perfeitamente reta.

Ao lado dele, a Princesa Lila estava sentada com as costas retas e o vestido alisado.

Theo sorriu. Um sorriso enorme. Ele pulou da cama. Em vez de pegar o tablet, ele pegou o robô e a boneca. — Bom dia, equipe! — disse ele em voz alta. — Hoje temos uma missão: organizar este quarto e construir uma base secreta de lençóis!

E, se você olhasse bem de perto para o rosto do robô, poderia jurar que a luzinha de LED no peito dele piscou uma vez, bem rápido, em resposta.

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historinha

Criador de historia infantil, adoro criar historinhas e também sou uma amante da literatura. Editor e fundador do Historia para dormir.

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