Princesas

Bom Dia Todas as Cores

O dia despertou radiante e o amigo Camaleão também acordou animado. “Bom dia, sol! Bom dia, flores! Bom dia, todas as cores!”, saudou ele, enquanto lavava o rosto numa folha orvalhada. Ele escolheu um tom rosa, que considerava a mais bela das cores, e vestiu-se com ela. O sol brilhava radiante no céu, anunciando a chegada da primavera. Camaleão estava radiante, feliz pela estação ter chegado e o sol finalmente brilhava após um inverno longo e frio.

“Estou feliz com minha vida hoje”, disse ele consigo mesmo. “Quero ser agradável com todos…” Com esse pensamento, ele saiu de casa e encontrou o Professor Pernalonga.

O Professor Pernalonga era violinista na orquestra do Teatro Florestal. “Bom dia, professor! Como vai?”, cumprimentou Camaleão.

“Bom dia, Camaleão! Mas que cor é essa agora? Essa cor não combina com você… Veja o azul do céu. Por que não fica azul também?”, sugeriu o professor. Apesar de simpático, o Camaleão decidiu adotar o azul, assim como o céu da primavera.

Em sua jornada, encontrou um tordo laranja na clareira. “Bom dia, meu amigo Camaleão! Por que está azul? Por que um amigo está azul?”, indagou o tordo, confuso. O tordo explicou que a cor mais bonita do mundo era o laranja dourado. Rapidamente, nosso amigo decidiu mudar para esta cor. Em um instante, ele se tornou laranja, dourado e cantarolou alegremente enquanto seguia seu caminho, todo contente.

Logo depois, Lord Mantis e sua família apareceram na clareira da floresta, saindo da capela. Ele era um cavalheiro muito sério, que não apreciava brincadeiras. “Bom dia, Camaleão! Que cor escandalosa! Parece um traje de carnaval… Deveria adotar uma cor mais natural… Olhe o verde das folhas… o verde da campina… Deve seguir o que a natureza ensina…”, sugeriu Lord Mantis. Então, nosso amigo mudou novamente sua cor para o verde e prosseguiu seu caminho.

Assim era o Camaleão, sempre pronto para mudar sua cor conforme a sugestão de alguém. Ele ficava roxo, amarelo, parecia um pavão. Era uma mistura de todas as cores. Não sabia dizer “não”.

E naquele dia, toda vez que encontrava um de seus amigos e recebia um comentário surpreso sobre sua cor, adivinhe o que o nosso Camaleão fazia. Ele logo mudava novamente, mudando de tom, indo de rosa para azul, de azul para laranja, de laranja para verde, de verde para vermelho, de preto para branco, de branco para roxo, de roxo para amarelo e até mesmo tons de vinho.

Quando o sol começou a se pôr no horizonte, o Camaleão decidiu retornar para casa. Estava cansado após a longa caminhada, e ainda mais esgotado por tantas mudanças de cor. Ao entrar em sua cabana, deitou-se para descansar e refletiu: “Por mais que tentemos, não podemos agradar a todos. Algumas pessoas gostam de farofa, outros de farelo… Uns preferem maçãs, outros marmelo… Uns preferem sapatos, outros chinelos… O que seria o amarelo se não fosse o gosto?”

Então, no dia seguinte, o Camaleão acordou muito cedo. “Bom dia, sol! Bom dia, flores! Bom dia, todas as cores!”, saudou ele novamente. Lavou o rosto na folha orvalhada e optou por um tom rosado, que considerava o mais belo. Decidido a seguir seu próprio gosto, ele disse ao sapo Cururu, um cantor de sucesso na Rádio Jovem Floresta: “Uso cores que gosto e que me caem bem. Aprecio bons conselhos, mas escolho o que me convém. Quem não gosta disso, não pode ser apreciado por ninguém…”

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