Estela e o Feitiço da Lua Prateada

Muito além das montanhas azuis e dos rios cintilantes, existia a Floresta dos Encantos.
Era um lugar extraordinário.
As flores cantavam ao amanhecer. Os cogumelos brilhavam durante a noite. E pequenas fadas dançavam entre os galhos das árvores iluminadas.
No coração daquela floresta vivia Estela, uma pequena bruxinha de cabelos prateados e olhos cor de ametista.
Ela morava em uma casinha construída dentro de uma árvore gigante.
Estela adorava aprender feitiços.
Mas havia um problema.
Seus feitiços quase nunca saíam como planejado.
Quando tentava fazer flores crescerem, surgiam abóboras. Quando queria fazer estrelas brilharem, apareciam bolhas coloridas.
Mesmo assim, ela nunca desistia.
Certa noite, algo estranho aconteceu.
A enorme Lua Prateada que iluminava toda a floresta começou a apagar.
Seu brilho diminuiu. Diminuiu. Até restar apenas uma luz fraca.
No mesmo instante, as flores perderam suas cores. Os riachos deixaram de brilhar. E as fadas ficaram sem poder voar.
Os animais ficaram preocupados.
— A magia da floresta está desaparecendo! — gritou um coelho.
— Precisamos fazer alguma coisa! — disse uma coruja.
Foi então que a Grande Bruxa Estelar apareceu envolta em luz dourada.
— O Cristal da Lua foi roubado.
Todos ficaram em silêncio.
— Sem ele, a Lua Prateada perderá seu brilho para sempre.
Estela deu um passo à frente.
— Eu vou encontrá-lo.
Os animais se entreolharam.
— Você? — perguntou a raposa.
— Mas seus feitiços vivem dando errado!
Estela sentiu o coração apertar.
Mas respirou fundo.
— Talvez eu não seja perfeita. Mas vou tentar.
Na manhã seguinte, partiu em sua jornada.
Seu caminho a levou até a Montanha das Névoas Mágicas.
Lá, encontrou uma ponte invisível sobre um enorme abismo.
Ela não conseguia vê-la. Apenas acreditar que estava ali.
Com medo, deu o primeiro passo.
Depois outro. E outro.
Logo estava do outro lado.
Mais tarde, chegou ao Bosque dos Espelhos Encantados.
Centenas de espelhos mágicos mostravam seus medos.
Em um deles, ela via seus feitiços falhando. Em outro, via todos rindo dela.
Estela quase desistiu.
Mas então lembrou das flores sem cor. Das fadas sem asas. Da floresta que precisava dela.
E continuou.
Finalmente, chegou ao Castelo das Sombras.
No topo da torre mais alta encontrou o Cristal da Lua.
Mas ele estava preso dentro de uma gaiola de magia negra.
Estela tentou quebrá-la. Nada aconteceu.
Tentou outro feitiço. Também não funcionou.
As lágrimas começaram a surgir.
— Eu não consigo...
Então ouviu uma voz suave dentro de seu coração.
— A verdadeira magia não está na varinha.
Está em você.
Estela fechou os olhos.
Pensou em tudo o que amava. Na floresta. Nos animais. Nas fadas. Em seu lar.
Uma luz brilhante começou a surgir ao seu redor. Mais forte. Mais forte. Até iluminar todo o castelo.
A gaiola desapareceu.
O Cristal da Lua estava livre.
Estela correu de volta para a floresta.
Quando colocou o cristal em seu lugar, a Lua Prateada voltou a brilhar.
Uma chuva de estrelas iluminou o céu.
As flores recuperaram suas cores. Os riachos voltaram a cintilar. As fadas voaram novamente.
Todos comemoraram.
— Você salvou a floresta! — gritaram os animais.
Estela sorriu.
Pela primeira vez, percebeu que nunca precisou ser uma bruxa perfeita.
Precisava apenas acreditar em si mesma.
E naquela noite, sob o brilho da Lua Prateada, a pequena bruxinha descobriu que a maior magia de todas era a coragem.
Fim.
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